Quero Engravidar, o Que Devo Saber?

Quero Engravidar, o Que Devo Saber?
Quero ser mãe no próximo ano
Por onde começar?
A consulta pré-concecional é um bom ponto de partida. Os seus objetivos estão definidos pela Direção Geral de Saúde e incluem a avaliação e discussão de,
- risco concecional, em particular o risco genético, através da história reprodutiva, médica e familiar;
- presença de doenças crónicas, tendo em conta a medicação em uso;
- comportamentos de risco (álcool, drogas e tabaco);
- estado nutricional;
- estado psicológico.
Deve ser verificado e promovida a atualização do boletim de vacinas de acordo com o Plano Nacional de Vacinação isto é,
- Determinação da imunidade à rubéola (e vacinação se necessário)
- Determinação do estado de portador de hepatite B (e vacinação se necessário)
- Avaliação da vacinação antitetânica (e vacinação se necessário)
Que cuidados devo ter?
Considera-se adequada,
- Determinação do grupo sanguíneo e fator Rh
- Rastreio das hemoglobinopatias
- Rastreio da toxoplasmose, sífilis, infeção por VIH e citomegalovírus. Mulheres sem imunidade à toxoplasmose devem ter cuidados de prevenção da transmissão da doença como seja, a lavagem correta dos legumes ingeridos crus, não ingestão de enchidos não cozinhados e carne mal passada, não limpar sem luvas locais com dejetos de gatos.
- Rastreio do cancro do colo do útero, se o anterior for efetuado há mais de 5 anos e após 2 exames anuais negativos
Recomenda-se a suplementação, a iniciar pelo menos dois meses antes da data da interrupção do método contracetivo/antes das gravidez, ácido fólico 400 µg/dia e iodo 150 µg/dia.
Qual o período mais favorável para engravidar?
O período mais favorável para engravidar designa-se por janela fértil e a sua determinação é essencial quando se está a tentar engravidar. Saber localizar a ovulação no ciclo menstrual é o primeiro passo.
A partir daí, 5 a 3 dias antes da ovulação e o próprio dia da ovulação constituem o período ideal para tentar engravidar.
Estão disponíveis kits de utilização domiciliária e com elevada sensibilidade para doseamento urinário da LH. As características do muco cervical são consideradas sinais indiretos da ovulação. Nesta fase o muco deve ser transparente e mais fluido de forma a facilitar a progressão dos espermatozoides.
Sou solteira e quero ser mãe.
Mulheres sem parceiro ou casais do mesmo sexo têm a possibilidade de concretizar o seu desejo de parentalidade recorrendo à doação espermatozoides ou embriões. Atualmente, o Serviço Nacional de Saúde prevê esta situação, oferecendo estes tratamentos de igual modo aos restantes tratamentos de PMA, em centros públicos.
Importante referir que em Portugal as pessoas nascidas em consequência de processos de Procriação Medicamente Assistida, com recurso a dádiva de gâmetas podem obter, junto dos competentes serviços de saúde, informações de natureza genética que lhes digam respeito, bem como obter junto do Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida informação sobre a identificação civil do dador, desde que possuam idade igual ou superior a 18 anos. Em caso algum o dador poderá ser havido como progenitor das crianças nascidas com a utilização destas técnicas (n.º 2 do artigo 10.º da Lei n.º 32/2006, de 26 de julho).
Quero ser mãe mas não para já
Fazer contraceção oral vai interferir com a capacidade de engravidar?
Passados mais de 50 anos de utilização de contraceção hormonal (pílula), pode afirma-se que esta tem um efeito reduzido sobre a fertilidade da mulher. Poderá apenas observar-se um ligeiro aumento no intervalo necessário para conseguir engravidar após a utilização prolongada de contraceção hormonal.
É também sugerido que não existe um atraso no retorno à fertilidade após utilização contínua (sem pausa entre uma e outra caixa de pílula).
Sob o efeito de contraceção hormonal, não há recrutamento e desenvolvimento folicular mas também não há modificação da duração da vida reprodutiva da mulher (a redução do número de óvulos disponíveis com o aumento da idade mantém-se, não é afetada). No entanto, é evidente uma modificação do aspeto dos ovários em ecografia, não sendo estranho que os marcadores de reserva ovárica (HAM e CFA) estejam alterados.
Caso se pretende avaliar a reserva ovárica, sem suspender a contraceção oral, esse fator deve ser considerado na interpretação nos valores da HAM. Em alternativa, e para ter uma avaliação mais precisa, sugere-se a suspensão de, pelo menos 3 meses, da toma da pílula.
Quando devo parar a contraceção oral para engravidar?
A referir que a utilização de contraceção hormonal de longa duração pode estar associada a um atraso no retorno dos ciclos menstruais mas, a grande maioria das mulheres (aproximadamente 80%), engravida ao fim de um ano após suspender a pílula.r, et condimentum nisi. Etiam sed eros ante.
Que opções tenho para preservar a minha fertilidade?
A criopreservação de ovócitos é uma opção possível para preservar a fertilidade feminina isto é, trata-se de uma solução para manter criopreservados óvulos que naturalmente se iriam perder com o passar da idade.
A preservação da fertilidade através da congelação de ovócitos implica uma fase inicial de estimulação hormonal (recurso a medicação injetável que leva à produção de ovócitos, durante 2-4 semanas), seguida de uma punção folicular (procedimento médico de obtenção dos ovócitos, duração de ~30minutos, sob o efeito de anestesia local ou sedação) e, por fim, criopreservação (congelação dos ovócitos). Os ovócitos ficam armazenados a temperaturas na ordem dos -200°C até que a própria os queira utilizar.
A sua utilização, com a finalidade de obter uma gravidez, implica a realização de um conjunto de técnicas de PMA para fertilizar o(s) ovócito(s) bem como a existência de uma amostra de espermatozoides, cultura in vitro (no laboratório) de embriões e a sua transferência para o útero.
É muito importante estar bem informada antes de tomar a decisão da preservação da fertilidade. O correto aconselhamento reprodutivo, baseado em dados concretos da reserva ovárica, bem como taxas de sucesso associadas à viabilidade ovocitária após criopreservação e descongelação são indispensáveis.
Muito importante considere que tão importante quanto o número de ovócitos que ficam criopreservados é também a sua qualidade e esta está dependente da idade a que a mulher realiza este procedimento,
O Serviço Nacional de Saúde não dispõe de oferta de criopreservação de ovócitos por motivação “social”. Os valores de referência em Portugal aproximam-se dos 3000 euros.
Qual o método contracetivo mais adequado para mim?
A contraceção é um dos pilares da saúde reprodutiva.
Existem cerca de vários métodos de contraceção, alguns especificamente masculinos, como preservativo masculino e esterilização masculina, e inúmeros femininos, desde o preservativo feminino a diferentes pílulas, anel vaginal, dispositivo intrauterino ou esterilização.
A escolha do método contracetivo depende da idade, do peso da história familiar e da fase da vida reprodutiva. Qualquer um dos métodos tem diferentes vantagens, desvantagens e eficácia mas há com certeza uma alternativa que melhor se adeque a cada mulher.
Todos estes aspetos devem ser discutidos com um médico especialista em Medicina Geral e Familiar e/ou com o médico especialista em Ginecologia e Obstetrícia.
Hormonal
A contraceção hormonal (pílula) é bastante eficaz na prevenção da gravidez, para algumas mulheres, permite a regularização dos ciclos e ajuda no controlo do acne. A grande desvantagem é que este é um método que não protege contra doenças sexualmente transmissíveis e pode estar associado a efeitos secundários.
Não hormonal
Dispositivos intrauterinos, dispositivo com forma de T mas que não tem associada a libertação de hormonas e que se mantém durante 5 a 10 anos. Não é afetado pelo utilizador e tem uma eficácia de 99%.
Planeamento familiar, conhecimento dos ciclos menstruais e ovulação está associado a 70% de eficácia.
Esterilização masculina ou feminina (bloqueio das trompas de Falópio ou da ligação testículos-uretra), é um método 99% eficaz. Pode ser reversível.
Estou a tentar engravidar há 1 ano
Devo procurar ajuda?
Quanto tempo esperar até avaliar a fertilidade é uma escolha individual mas deve ter em conta a idade da mulher. 80% das mulheres com menos de 35 anos conseguem engravidar ao fim de 6 meses e 90% ao fim de um ano. Se tiver mais de 35 anos, será aconselhável considerar uma avaliação com um especialista ao fim de 6 meses de tentativas sem sucesso.ue ut eget elit.
Onde me posso dirigir?
No nosso país as consultas de planeamento familiar estão amplamente disponíveis nos Centros de Saúde. O primeiro passo na discussão sobre o projeto reprodutivo e intenções de parentalidade deve ser feita junto do médico de Medicina Geral e Familiar.
Do mesmo modo, pode pedir ajuda ao seu médico especialista em Ginecologia e Obstetrícia. Qualquer uma das anteriores opções será uma primeira abordagem, sendo o passo seguinte, nos casos em que tal é necessário, o recurso a um serviço/clínica de medicina da reprodução.